Tradutores no Cinema: Babel
Tradutores no Cinema: Babel

Dando continuidade às publicações da nossa categoria “Tradutores no Cinema”, que retrata a profissão de tradutores e intérpretes representados no cinema mundial, escolhemos desta vez um filme bastante aclamado pela crítica e que traz em seu próprio título o signo central da tradução: a Babel. Vale lembrar o relato bíblico da Torre de Babel que levaria os homens aos céus, mas cujo projeto foi interrompido por Deus, que dispersou e confundiu os humanos, fazendo com que grupos diferentes falassem línguas distintas e não conseguissem, consequentemente, construir a torre.

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FICHA TÉCNICA

Título original: Babel
Ano: 2006
Direção: Alejandro González Iñárritu
Elenco principal: Brad Pitt, Cate Blanchett e Mohamed Akhzam

O filme Babel retrata a intraduzibilidade através de quatro diferentes perspectivas em um novelo de personagens desconhecidos que se cruzam ao longo dos seus percursos. De índole dramática, os filmes sublinham a fragilidade das escolhas dos personagens e, em última análise, da nossa própria vida real. Perda, medo, dor, angústia, nenhuma dessas emoções parecem estar perdidas na tradução. Dando forma ao enredo, um ônibus repleto de turistas atravessa uma região montanhosa do deserto ao sul do Marrocos. Entre os viajantes estão Richard e Susan (Brad Pitt e Cate Blanchett), um casal de americanos tentando se recuperar da perda de um filho. Ali perto, os meninos Ahmed (Said Tarchani) e Youssef (Boubker Ait El Caid) manejam um rifle que seu pai lhes deu para proteger uma pequena criação de cabras. Uma bala atinge o ônibus, ferindo o ombro de Susan. A partir daí, o filme mostra como esse fato afeta a vida de pessoas em vários pontos diferentes do mundo. O desafio de transpor barreiras por meio do contato efetivo e do comprometimento com o outro é o foco de Babel, evidenciando-se pelas histórias de personagens americanos, mexicanos, japoneses e marroquinos, que todos os humanos são, de alguma forma ligados, por outros laços e lacunas maiores que a distância, que o idioma e que as dificuldades.

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Cena 01: Pontos em Susan Jones
Duração: 00:41:50 a 00:44:26
Contexto: Quando Susan Jones (Cate Blanchett) é levada para Tazarine, eles esperam por um médico, que na verdade é um veterinário (Hammou Aghrar) para examiná-la. Rapidamente o veterinário verifica que será preciso estancar o ferimento para que se possa conter hemorragias até que chegue o socorro adequado. O guia Anwar (Mohamed Akhzam), morador local, ajuda na tradução durante esse difícil momento.

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Cena 02: Resgate
Duração: 02:02:47 a 02:06:02
Contexto: Nesta cena, o helicóptero do exército norte-americano chega a Tazarine, no deserto do Marrocos onde o casal Richard e Susan (Brad Pitt e Cate Blanchett) permanece, após várias horas lutando para que ela se recupere de uma bala perdida. A bala foi atirada por um dos filhos de um pastor de ovelhas local, que ganhou um rifle de caça do japonês Yasujiro. Richard quer pagar o guia Anwar (Mohamed Akhzam), que o ajudou a conseguir ajuda e trabalhava no ônibus. Este, porém, recusa o dinheiro, demonstrando a importância da hospitalidade e da solidariedade. Como se pode notar nas cenas em que repórteres dão declarações dos oficiais presentes, apesar da parceria entre os profissionais de ambos os países, as autoridades marroquinas e norte-americanas não se entendem – não pela barreira da língua, mas pelos preconceitos pré-existentes.

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Conhece mais algum filme que retrate tradutores ou intérpretes? Escreva para julia@tradstar.info que a gente publica sua dica aqui também.